Apple adia evento para 21 de março após disputa com FBI sobre criptografia



O jornalista John Paczkowski costuma acertar as datas de eventos da Apple. Ele havia dito que a empresa anunciaria novos produtos em 15 de março. Mas, após toda a polêmica envolvendo o FBI e criptografia, parece que ela decidiu mudar a data do evento.

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Segundo o Re/code e BuzzFeed News, a Apple escolheu o dia 21 de março para revelar um novo iPhone e iPad.

A data parece ser estratégica: no dia seguinte, em 22 de março, a empresa enfrentará o FBI em uma audiência no tribunal da Califórnia. Ela se recusa a facilitar o desbloqueio de um iPhone, dizendo que isso abrirá um precedente perigoso.

O FBI recuperou o iPhone 5c de Syed Rizwan Farook, que realizou um ataque terrorista em San Bernardino, Califórnia, no final de 2015. A Justiça americana quer que a Apple ajude o FBI a desbloquear esse iPhone, modificando o iOS para que seja possível testar diversas senhas nele.

Segundo o New York Times, a Apple está trabalhando para que isso seja impossível em próximas versões do iOS. Aparentemente, ela vai remover o recurso de diagnóstico que permite instalar um novo firmware em um iPhone bloqueado sem inserir senha. Isso pode ser discutido no evento, pois o iOS 9.3 está previsto para março.

O FBI quer que a Apple desbloqueie o iPhone porque o último backup para o iCloud foi feito um mês e meio antes do atentado. De acordo com o Financial Times, a Apple também passará a criptografar os dados na nuvem, impedindo que eles sejam entregues às autoridades – só o dono da conta terá a chave para descriptografá-los.

A Apple alega que a ordem do governo viola a Constituição americana, mencionando as emendas que protegem a liberdade de expressão e que evitam o abuso de autoridade estatal.

Em um documento ao tribunal, ela argumenta:

… com base nessas mesmas teorias jurídicas, o governo poderia argumentar que devem ser autorizados a obrigar cidadãos a fazer todo tipo de coisas “necessárias” para ajudar na aplicação das leis, como convencer uma empresa farmacêutica contra a sua vontade a produzir medicamentos necessários para levar a cabo uma injeção letal, em prol de uma sentença de morte emitida legalmente; ou exigir que um jornalista plante uma história falsa a fim de atrair um fugitivo; ou forçar uma empresa de software a inserir código malicioso em seu processo de atualização automática, que torne mais fácil para o governo realizar vigilância sob ordem judicial.

Em entrevista, Tim Cook afirma que uma chave mestra para desbloquear iPhones seria “o equivalente a software de um câncer”, e “criaria um precedente que eu acredito que ofenderia muitas pessoas nos EUA”. Segundo o Wall Street Journal, o Departamento de Justiça vem tentando obrigar a Apple a desbloquear “cerca de uma dúzia” de iPhones nos EUA.

E, em um editorial no New York Times, a polícia de Nova York admitiu que o caso Apple x FBI terá grandes consequências, e vai guiar a forma como outras empresas de tecnologia serão obrigadas a fornecer acesso a dispositivos.

Por isso, a Apple vem recebendo apoio de diversas gigantes do setor. Google, Microsoft, Facebook, Twitter e Amazon vão anexar um documento ao processo judicial oferecendo sua opinião jurídica no caso (algo chamado de amicus curiae).

O evento do dia 21 de março deve ser uma oportunidade para a Apple discutir o caso, e também para revelar novos produtos.

Rumores dizem que teremos um iPhone SE (antes chamado de iPhone 5se): ele teria tela de 4 polegadas, processadores A9 e M9 do iPhone 6s, suporte a Wi-Fi 802.11ac mais rápido, e NFC para o Apple Pay.

Além disso, teremos um iPad Pro de 9,7 polegadas (antes chamado de iPad Air 3) com suporte à Apple Pencil, conector inteligente para capa de teclado, e quatro alto-falantes. Por fim, veremos melhorias no software do Apple Watch e novas pulseiras para o relógio. Atualizamos nosso post com os principais rumores, e você pode conferi-los aqui.

[Re/code e BuzzFeed News]

Foto por Carolyn Kaster/AP



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