Gorillaz estreia no Brasil cheio de convidados e com gritos contra Trump e Temer para 13 mil fãs em SP




Grupo mostrou música nova e levou batalhão de convidados como De La Soul, que xingou Trump e ouviu ‘fora Temer’ no Jockey nesta sexta (30). Gorillaz toca em São Paulo Celso Tavares/G1 Teve música nova, setlist alongado, chuva de leve, palco lotado com banda e convidados, Damon Albarn na galera, “f*ck Trump” e até “fora Temer” na estreia do Gorillaz no Brasil. Para uma banda “de mentira”, o grupo baseado em personagens animados levou um batalhão impressionante de músicos de verdade. Sob o comando de Albarn, eles fizeram um grande espetáculo musical no palco, junto do show visual no telão, nesta sexta-feira (30) em SP. FOTOS: Gorillaz faz show pela 1º vez em São Paulo O espaço para 13 mil pessoas montado no Jockey Club estava cheio – segundo a organização, todos os ingressos foram vendidos. Choveu forte de dia e fraco no começo do show. Sorte que a plateia ficava na área cimentada do Jockey, famoso por shows enlameados. Mesmo assim, ainda tinha lama nos caminhos de saída, bares e banheiros. Este foi o único show da atual turnê do Gorillaz no Brasil. O início foi às 21h, com cerca de uma hora e cinquenta de show. Foi o encerramento da passagem deles pela América Latina, com faixas que não rolaram nos dois shows anteriores: “Demon Days”, “Punk” e “Don’t get lost in heaven”. O capricho visual no telão já era esperado, tratando-se do “quarteto virtual” dos personagens 2D, Murdoc, Noodle e Russell. O que surpreende é o investimento no palco de verdade, com 13 músicos fixos (incluindo ótimo sexteto de vocais de apoio) e mais oito cantores convidados. O show mostra bem a diferença entre a trajetória de Albarn, também vocalista do Blur, e seu antigo rival no britpop que tocou há cinco dias em SP. Enquanto Liam Gallagher, ex-Oasis, segue preso ao som de duas décadas atrás, Damon é inquieto ao abraçar rap, eletrônica, world music e o mundo de referências do Gorillaz, já com 20 anos de carreira. Que o diga a lista de convidados desta sexta. Eles geralmente apareciam nas músicas do disco mais recente, “Humanz” (2017), mas também cantaram outras: O De La Soul, trio veterano de hip hop dos EUA, participou em “Superfast Jellyfish” e “Feel good inc”. Nesta, rolou um discurso de Damon sobre a situação política de mer*a na Inglaterra, seguido por xingamento de “fu*k Trump” do De La Soul (condizente com o teor político-apocalíptico de “Humanz”) e um “fora Temer” da plateia brasileira. Conclusão: não tá fácil pra ninguém. O cantor de r&b e house Peven Everett apareceu em “Strobelight” e “Stylo”. A rapper inglesa Little Simz cantou em “Garage palace” (ela brilhou no grime em velocidade máxima). A cantora inglesa Pauline Black, da banda inglesa de ska dos anos 70 The Selecter, participou em “Charger”. O rapper Bootie Brown, do grupo de hip hop alternativo The Pharcyde, veio em “Stylo” e “Dirty Harry”. O cantor de house dos EUA Jamie Principle cantou em “Hollywood”, música nova do Gorillaz. “Hollywood” deve fazer parte de um disco novo do grupo. Damon e Jamie Hewlett, idealizadores do Gorillaz, deram dicas de que este álbum deve ser lançado em 2018, mas não confirmaram. A música apareceu só nos últimos shows na América Latina. A novidade é um funk turbinado, super dançante, em contraste com aquele vocal chapado de Albarn. Lembra o primeiro disco e é mais animada e menos estranha o último álbum. Damon Albarn é hiperativo sem ficar pedindo palminha. Vai cantar no público em “19-2000” e volta no bis. Ele completou 50 anos no sábado passado, e passaria por sobrinho de Liam Gallagher, 45. Mas não é só questão de aparência – nem dele nem das figuras no telão. É a música de Albarn e seus mil amigos que ainda tem mais vida.



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