Sepultura revisa carreira e mostra novidades em show lotado no RS



Sepultura lotou Bar Opinião em Porto Alegre (Foto: Divulgação/Sepultura)Sepultura lotou Bar Opinião em Porto Alegre (Foto: Divulgação/Sepultura)

Diante do Bar Opinião lotado em Porto Alegre, a banda de heavy metal Sepultura realizou na noite deste domingo (16) um show da turnê que celebrou seus 30 anos. Além de relembrar faixas de todas as épocas, o grupo ainda apresentou “I Am the Enemy”, do álbum que será lançado em 2017, e “Sepultura Under My Skin”, música sobre os fãs que têm o símbolo da banda tatuado.

Apesar de ainda haver ingressos à venda na noite da apresentação, o Opinião teve todos os seus espaços tomados pelo público, que esperava ver os ídolos cinco anos depois da última apresentação em Porto Alegre. Os mais empolgados bateram cabeça ao som de “Troops of Doom”, uma das faixas mais antigas executadas pela banda.

Mas havia espaço também para uma faixa mais recente: “Kairos”, do álbum de mesmo nome, de 2011, foi relembrada. A sequência da apresentação foi composta por um pouco de cada álbum e cada época da banda.

Como não poderia ser diferente quando se trata de Sepultura, o som estava impecável, com instrumentos afinados e equalizados. É uma marca do profissionalismo do grupo, que costuma ter uma preocupação acima da média com a qualidade da apresentação.

Com um português fluente, mas com sotaque, o vocalista Derrick Green conversava com o público e não escondia a admiração, chegando a soltar um palavrão, compreensível por leitura labial, ao ver a multidão de headbangers pulando e cantando junto. Por vezes, batucava no instrumento de percussão acoplado ao pedestal do microfone.

O guitarrista Andreas Kisser agitava a cabeleira enquanto executava complexos riffs com facilidade. Mais tímido, o baixista Paulo Jr. se posicionava mais longe do público, mas não economizava paletadas nas cordas do instrumento. Ao fundo, o baterista Eloy Casagrande abusava dos dois bumbos e mostrava uma habilidade com as baquetas tamanha que chegou a ter o nome gritado por alguns fãs.

Uma das faixas mais rápidas da noite, “Biotech is Godzilla”, foi mesclada com o cover de “Polícia”, com Andreas Kisser nos vocais. Músicas clássicas como “Desperate Cry”, “Territory” e “Arise” empolgaram o público, que só ficou parado para conferir “I Am the Enemy”, que estará no próximo álbum. O som mostra que o quarteto não perdeu a pegada, com riffs de guitarra rápidos. Após observar a novidade, era hora de cantar junto um dos refrões mais grudentos do Sepultura: “Refuse/Resist”.

A sinergia entre o público e a banda era tanta que os músicos ficaram pouco tempo fora do palco. Nem cinco minutos após saírem, já retornaram para o bis. Agradecido pelo carinho, Andreas Kisser dedicou aos mais fanáticos “Sepultura Under My Skin”.

Depois, voltou a cantar em “Ratamahatta”, como se fosse Carlinhos Brown na versão de estúdio. Como era esperado, a apresentação foi encerrada com “Roots Bloody Roots” ecoando por todo o Opinião.

Público lotou o Opinião para show do Sepultura em Porto Alegre (Foto: Divulgação/Sepultura)Público lotou o Opinião para show do Sepultura em Porto Alegre (Foto: Divulgação/Sepultura)





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Aerosmith faz rock eficiente e Steven Tyler mostra fôlego aos 68 em SP



Aerosmith em São Paulo (Foto: Flavio Moraes)Aerosmith em São Paulo (Foto: Flavio Moraes)

De longe, a figura de calça xadrez preta, branca e dourada, sapato azul e branco, paletó brilhante e panos coloridos poderia ser incluído na nova modinha dos palhaços assustadores. Mas ele comanda uma moda um pouco mais séria e muito mais antiga.

Steven Tyler celebrou as mais de quatro décadas de Aerosmith na noite deste sábado (15) em São Paulo. A produção informou que quase todos os 45 mil ingressos disponibilizados foram vendidos, mas não confirmou o número total de fãs no Allianz Parque. O show começou pouco depois das 21h e durou uma hora e cinquenta minutos.

Aerosmith em São Paulo (Foto: Flavio Moraes)Aerosmith em São Paulo (Foto: Flavio Moraes)

A carreira de altos e baixos tem material mais do que suficiente para satisfazer aos fãs mais exigentes de 1973 para cá – sem nenhum apego ao material mais recente, o disco “Music from another dimension” (2012). Fãs na grade pediram “Hole in my soul”, mas só houve tempo para um pedacinho do refrão à capella.

Steven Tyler, um senhor de 68 anos, mas com gritinhos de uma moça de 18, já começa o show na passarela à frente do palco, ostentando os agudos em “Draw the line”, faixa-título do álbum de 1977. A voz é mais rouca que antes, mas alcança todas as notas que precisa.

Ele se joga no chão no meio de “Love in an elevator” e, depois, assobia para o parceiro Joe Perry, 68, chegar na frente da passarela e encerrar a música de rosto colado.

O guitarrista parecia ter se esquecido do número ensaiado. Já Tyler segue os truques de frontman à risca – às vezes parece demais no automático do “joga a mãozinha pro alto”, mas não menos eficiente.

“Cryin” é outra em que a voz ainda se mostra em cima, mas nem precisava – todo mundo leva do início ao fim, a mais cantada da noite junto com “I don’t want to miss a thing”. Mas o Aerosmith bem é mais que hits de rádio e a voz de Steven Tyler.

Aerosmith em São Paulo (Foto: Flavio Moraes)Aerosmith em São Paulo (Foto: Flavio Moraes)

O rock deles é eficiente até quando segue por refrões menos conhecidos, como prova “Stop messin’ around”, cover do Fleetwood Mac, blueseira com Joe Perry no comando. A catarse em “Dream on”, a mais antiga e melhor do repertório, mostra que havia ali muito mais do que vontade de ouvir um sucesso ou outro.

Essa é a sexta vez do Aerosmith no Brasil – eles tocaram em Porto Alegre e ainda vão a Recife. Mas os fãs continuam vibrando como se fosse a primeira vez. Houve até um papo de Steven Tyler de que pode ser a última vez, mas a escalação no Rock in Rio 2017 tira qualquer clima de despedida.

Para uma banda de trajetória instável, com baixas em popularidade e na saúde dos integrantes por conta de drogas e bebidas em quatro décadas, é um feito que seja hoje opção tão segura de grande show de arena. Não deve ser diferente em 2017. Vai ser só arrumar outra comparação com a modinha da vez, que também vai passar, enquanto o Aerosmith fica.





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Lollapalooza 2017: Jimmy Eat World e Martin Garrix entram na programação



O DJ holandês Martin Garrix (Foto: Divulgação)O DJ holandês Martin Garrix (Foto: Divulgação)
 

O DJ holandês Martin Garrix e a banda Jimmy Eat World foram anunciados neste domingo (16) na programação do Lollapalooza 2017, fechando assim a grade completa de atrações, que tem ainda nomes como Metallica, The Strokes, The Weeknd e The xx.

Garrix é um dos mais bem-sucedidos nomes da música eletrônica, conhecido principalmente pelo hit “Animals”. Já o grupo americano é famoso pela mistura de rock alternativo, emo e punk.

A sexta edição brasileira do festival vai acontecer em 25 e 26 de março no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A maior parte da programação foi divulgada em setembro, quando a organização deixou em aberto um dos nomes, que seria revelado neste domingo.

The Chainsmokers, Flume, Two Door Cinema Club, Rancid, Duran Duran, The 1975 e G-Eazy também estão entre as atrações (veja lista completa abaixo). Ainda não foram divulgados os dias em que cada artista se apresenta.

Ingressos a R$ 920 para os dois dias
O Lolla Pass, tipo de ingresso que dá acesso aos dois dias do festival, começou a ser vendido em 12 de setembro. Atualmente, está disponível o segundo lote do pacote, que custa R$ 920 (inteira). Já o Lolla Louge Pass (camarote que dá direito a bares e banheiros exclusivos, além de atividades promovidas por patrocinadores) custa R$ 1920 a inteira e R$ 1460 a meia.

As entradas podem ser adquiridas na bilheteria oficial do Citibank Hall São Paulo (sem taxa de conveniência), no site oficial (clique aqui) ou nos pontos de venda espalhados pelo país.

A data de início das vendas do Lolla Day (ingresso para somente um dia de festival), que custará R$ 540 no primeiro lote, não foi divulgada.

Neste ano, o público não receberá um ingresso físico para participar do festival, mas uma pulseira com tecnologia RFID, que também será usada para compra de alimentos e bebidas, entre outros serviços. Elas serão distribuídas a partir do dia 25 de fevereiro de 2017.

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Todas as atrações que se apresentarão no Lollapalooza 2017, em março  (Foto: Divulgação)Todas as atrações que se apresentarão no Lollapalooza 2017, em março (Foto: Divulgação)

 





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Sepultura celebra 30 anos e promete música nova na volta a Porto Alegre



Banda Sepultura (Foto: Divulgação/ Sepultura)Da esquerda para a direita: o guitarrista Andreas Kisser, o vocalista Derrick Green, o baixista Paulo Jr. e o baterista Eloy Casagrande (Foto: Divulgação/ Sepultura)

Após cinco anos, o Sepultura volta neste domingo (16) a Porto Alegre. A apresentação faz parte de uma turnê que celebra os 30 anos da banda – como a tour já se estendeu por quase dois anos, já são 32. Mas além de festejar o passado, os metaleiros também projetam o futuro: o público gaúcho conhecerá no Bar Opinião uma das faixas do próximo álbum, que será lançado em janeiro de 2017.

Empolgado com a oportunidade de voltar a tocar no Sul do país após dois anos rodando o mundo para suprir o que chama de “demanda mundial”, o guitarrista Andreas Kisser conversou por telefone com o G1 sobre os rumos da banda, o cenário atual do heavy metal e a situação política do país (leia abaixo alguns trechos).

Andreas Kisser, do Sepultura, no Rock in Rio (Foto: Flavio Moraes/G1)Andreas Kisser, do Sepultura, no Rock in Rio
(Foto: Flavio Moraes/G1)

“Passamos por todos os continentes, e agora estamos fazendo esses shows no Brasil, não conseguimos fazer isso nesses últimos dois anos. Estou muito feliz por fazer esses shows no Sul. Uma galera ainda não conseguiu ver o Sepultura ao vivo, tem essa vibe de galera que está vendo a banda pela primeira vez e, lógico, tem os fãs que já curtem a banda”, projeta o guitarrista.

A apresentação na capital gaúcha acontece exatos cinco anos depois da última, com os californianos da Machine Head, e será a primeira após o lançamento do álbum mais recente: “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart”.

O título, extraído de uma fala do filme de ficção científica alemão “Metropolis”, de 1927, alude a como a banda vê o comportamento da humanidade em uma época repleta de inovações tecnológicas, mas com pouca interação entre as pessoas.

“É essa coisa da robotização da sociedade. A galera age meio como robôs, no sentido de você ter uma informação nova implantada sem agir com o coração, que simboliza as dúvidas e os porquês, meio que deixa a pessoa sem pensar”, diz.

E o próximo álbum, que será lançado em janeiro de 2017, seguirá a mesma linha. O músico acredita que o momento atual, não só do país, mas do mundo, faz com que as críticas nas letras se intensifiquem. “Estamos perdendo cada vez mais a capacidade de ser humano, e o disco mexe com isso”, adianta o músico, acrescentando que em breve a banda divulgará mais detalhes sobre o trabalho.

Uma das faixas, no entanto, será executada neste domingo. Chama-se “I Am The Enemy”. Apesar de olhar para frente, o Sepultura não esquece o passado. Mais especificamente o álbum Roots, que completou 20 anos quase junto com os 30 da banda. Por isso, além da clássica “Roots Bloody Roots”, o setlist deverá ter outras faixas do álbum, considerado um dos principais não apenas da banda, mas do rock brasileiro.

banda sepultura (Foto: Reprodução / TV TEM)Turnê do Sepultura celebra os 30 anos da banda
(Foto: Reprodução / TV TEM)

A apresentação ainda será a primeira em Porto Alegre com o baterista Eloy Casagrande, que já mostrou suas credenciais nos dois álbuns mais recentes da banda e arrancou elogios de grandes nomes do heavy metal, como Lars Ulrich, do Metallica, e Dave Lombardo, ex-baterista de Slayer e Testament. “Não podemos deixar nunca de ter um monstro na bateria”, atesta o guitarrista, lembrando que antes de Eloy, houve a “lenda” Igor Cavalera e Jean Dolabella, que também assumiu as baquetas com maestria.

Homem de opiniões fortes, Kisser lamenta a persistência do estereótipo negativo em relação ao público do heavy metal. “Os metaleiros são o pessoal mais pacífico do mundo”. Apesar de ver uma boa renovação da cena, com bandas de qualidade surgindo, ele diz que o pouco espaço que a mídia dá ao estilo contribui com o mito. “Quanto mais divulgação, mais debate e mais conversa, menos preconceito”, argumenta.

Por outro lado, o músico vê uma sociedade com maior conhecimento e participação na política do país. Sem entrar em detalhes sobre ideologia, diz que a corrupção precisa ser combatida. “Está rolando isso desde que o Brasil existe, mas chegou um momento em que estourou. É muita roubalheira. Tem que dar um basta nisso”.

Confira abaixo alguns trechos da entrevista:

O metal está no sangue para sempre”
Andreas Kisser

São 30 anos de banda. O que você acha que mais mudou no público do Sepultura?
Não é que mude, o público do metal tem a tradição de ter gerações, do cara mais velho levar o filho ou o sobrinho. O moleque começa a estudar música com CDs e vinis. É uma tradição do metal a renovação, porque os velhos estão lá e continuam escutando até morrer. O metal está no sangue para sempre, e há um rejuvenescimento da galera.

São 32 anos de tour. Os 30 anos começaram no final do ano retrasado. Passamos por todos os continentes, e agora estamos fazendo esses shows no Brasil, não conseguimos fazer isso nesses últimos dois anos. Estou muito feliz por fazer esses shows no Sul. Uma galera ainda não conseguiu ver o Sepultura ao vivo, tem essa vibe de galera que está vendo a banda pela primeira vez e, lógico, tem os fãs que já curtem a banda.

Em 2013, o Sepultura teve um show cancelado em Porto Alegre, houve pouca procura. Você lembra como foi?
Acho que foi um problema com produção e tudo. Não lembro muito bem. Mas agora estamos com um lance muito bem organizado e vamos fazer esse show aí.

Desde o início deste ano, vocês têm feito bastantes shows por aqui. Foi uma vontade da banda ficar no país, mais perto das famílias?
O Brasil é a nossa casa, e estamos fazendo um esforço máximo para tocar em tudo que é lugar. Temos uma demanda mundial, foram quase dois, três anos fazendo a turnê do “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart”, e depois os 30 anos. Fomos a todos os festivais e a todos os cantos. Isso leva tempo, precisamos de tempo para digerir e no final das contas é um processo necessário esse lance de viajar, de fazer coisas que demandam vários dias de viagem para um show. E sempre voltamos ao Brasil, nesses espaços a gente aproveita para voltar. Principalmente agora que temos um disco novo pronto, gravamos em maio na Suécia. Sai em janeiro de 2017.

E depois de lançar o disco novo, vocês voltam para o Exterior?
Exatamente. Temos uma turnê marcada para fevereiro na Europa com o Kreator, uma turnê grande com três semanas. E em abril, com Testament. É lógico que junho e junho são festivais de verão da Europa, é um circuito gigantesco e necessário. No Brasil, vamos fazer mais para o segundo semestre.

Você falou em Kreator e Testament, bandas que assim como o Sepultura têm muito tempo de estrada. Em uma roda de conversa entre fãs de metal, sempre ouve falar em Slayer, Metallica, e essas bandas como Testament e Kreator, mas dificilmente se vê a mesma empolgação em relação a uma banda que tenha surgido mais recentemente. Falta uma renovação?
Não sei se falta. Acho que não falta. Não adianta ficar procurando coisa onde não existe. Tem de ser algo natural. Houve ondas que surgiram, o Black Sabbath e a New Wave of British Heavy Metal, o próprio Judas Priest surgiu ali. Depois veio essa safra de Metallica e Anthrax, e a gente veio depois. O próprio Angra, o Hatebreed e o Slipknot… As coisas estão acontecendo. Tenho um programa de rádio aqui em São Paulo, se chama Pegadas de Andreas Kisser, e a gente toca de tudo, principalmente de metal nacional. O metal tem essa característica underground, são poucas bandas que quebram barreiras, como o próprio Metallica que continua aí. E o Sepultura tem essa característica, de misturar. Fizemos um show com o Zé Ramalho [no Rock In Rio de 2013], então acho que o metal está acontecendo, ele se mistura e tem influência. O Sepultura tocou em 76 países em 32 anos e foi o metal que nos proporcionou isso. Até hoje é assim, a cada ano a gente abre um mercado novo. Fizemos 16 shows na Rússia e Sibéria. Tem países que estão se abrindo para esse estilo. Já tocamos em Cuba. É uma coisa fantástica, o metal tem essa capacidade de abrir.

A culpa também é de vocês [imprensa], que não abrem o olho (risos), não procuram as coisas. A cena está forte, as bandas brasileiras estão aí. Falando em metal, temos uma geração aí. Claustrofobia é uma banda nova, Nervosa é um trio feminino, Torture Squad, Project 46, tem coisas boas acontecendo.

Os metaleiros são o pessoal mais pacífico do mundo. Você não vê confusão em show de metal, não vê neguinho querendo dar o golpe de jiu-jitsu que aprendeu e azarando mulher dos outros completamente bêbado.”
Andreas Kisser

Você espera que o metal seja divulgado na grande mídia ou prefere que seja algo mais alternativo, com um público restrito?
Não tenho preferência. Acho que quanto mais divulgação, mais debate e mais conversa, menos preconceito. Os metaleiros são o pessoal mais pacífico do mundo. Você não vê confusão em show de metal, não vê neguinho querendo dar o golpe de jiu-jitsu que aprendeu e azarando mulher dos outros completamente bêbado. É uma gurizada abrindo roda, e quem não vai na roda, a galera ajuda. Você vê em shows de metal um público muito fiel e que não depende de hits de rádio, uma galera que sabe a história de Iron Maiden, Black Sabbath, Sepultura, uma galera que guarda as camisetas com cuidado. É um fã diferenciado, que não está aí para a modinha da vez, é uma coisa de vida.

Mais ainda existe esse estereótipo do “metaleiro malvado”? Você sente isso nas turnês?
Muita gente acha. Não é uma questão de sentir, é de observar. Certos prêmios de musica, sei lá, Criança Esperança ou campanha de doação de sangue, do governo… Ninguém lembra do heavy metal. Você lota um show do Black Sabbath em dois minutos em São Paulo. A cena do metal é profissional, e é uma galera ignorada. Mas temos que fazer um mea culpa porque é uma galera muito radical no geral.

Eu não digo para as pessoas gostarem de metal, mas para respeitarem”
Andreas Kisser

O fã do metal é um cidadão brasileiro e tem todo o direito de participar de coisas mais relevantes, e não ser ignorado com se fosse um bando de moleque gritão. É um estilo musical que me levou a conhecer o mundo, e é muito histórico, tem letras históricas. Vide Iron Maiden e Metallica, que mencionaram guerras e assuntos interessantes em suas letras. O Sepultura tem fãs da Europa que vieram ao Brasil para aprender português e conhecer o Brasil por causa do Sepultura. É muito legal isso. Mas é uma coisa que já foi pior. Hoje se vê a galera se misturando em grandes festivais, com noite de metal, e a galera vai se misturando, aos poucos.

Eu não digo para as pessoas gostarem de metal, mas para respeitarem, saberem de todo o esforço e trabalho necessários para se ter uma banda, como estilos como blues e reggae. Por isso sempre tentei batalhar para quebrar essa barreira tocando com outros músicos. O Sepultura tocou no trio elétrico com Carlinhos Brown.

Vocês receberam muitas críticas depois daquela participação no trio elétrico no último carnaval?
Desculpe minha sinceridade, mas quero que se f… Se vou ficar pensando no que todo mundo está pensando, a gente não sai do lugar. O Sepultura sempre foi assim. Não existe arte se você já sabe tudo o que vai acontecer, tem que deixar espaço para o improviso. A resposta foi positiva demais, foi fantástico. As pessoas não são obrigadas a gostar. Tem gente que tem prazer em xingar na internet e cada um se expressa como quiser, respeito todos, mas não vou concordar. Cada um tem a maneira de se expressar e age nas consequências.

Queríamos fazer isso há muito tempo, queríamos fazer em 1995 quando gravamos com o Carlinhos e desde então tínhamos esse sonho utópico. E foi maravilhoso, o pessoal de camisa preta seguindo os trens e quem não cutia respeitava. Foi positivo e saudável, espero que role mais. O Carlinhos e a galera do circuito gostaram. Nas próximas queremos trazer até gente de fora, quem sabe um Anthrax no trio elétrico (risos).

O último álbum já não é tão novo assim, já tem dois ou três anos. “O mediador entre a cabeça e as mãos precisa ser o coração” [tradução do nome] é algum recado?
Saiu no final de 2013. Essa frase vem do filme Metropolis, começa o filme e depois termina. É essa coisa da robotização da sociedade. A galera age meio como robôs, no sentido de você ter uma informação nova implantada sem agir com o coração, que simboliza as dúvidas e os porquês, meio que deixa a pessoa sem pensar.

No álbum novo, a gente toca um pouco nesse aspecto, e Metropolis mostrou muito isso, uma sociedade robotizada enquanto poucas pessoas se divertem. Podemos passar para os dias de hoje, não só no Brasil. Quanto mais robôs por aí, implante de chip, óculos do Google, cada vez tirando mais a gente do caminho, cada vez criando mais essa ideia virtual. Estamos perdendo cada vez mais a capacidade de ser humano, e o disco mexe com isso. Talvez seja uma continuação do Mediator. Mais para frente vamos divulgar detalhes do novo disco.

Essa crítica fica mais intensa em função dos acontecimentos no Brasil e no mundo, como o impeachment, a crise dos refugiados na Europa e a eleição nos Estados Unidos?
Sim, mexe com tudo. Você vê numa conversa em um restaurante, isso quando estão conversando e não com o celular, quando surge uma dúvida, o cara vai lá e consulta o Google. Não tem a coisa de puxar da memória, e chamar para outro assunto. Só responde e pum, beleza. Não é o troféu, o primeiro lugar, que importa, mas toda a trajetória que levou a essa conquista. É a capacidade de pensar, colocar essa ideia.

Mas há pessoas que têm essa vertente, que estão querendo voltar a ser mais humanas. A informação te dá essa coisa de saber o que está comendo, a busca pelo vegetarianismo, e de evitar agrotóxicos. Isso é importante. Na minha fase de adolescente, ninguém pensava nisso. Se a minha mãe botava algo na mesa, era confiança total. Lutar pelo que se acredita é uma parte em que essa coisa da informação é uma coisa positiva, tem de tudo na internet.

É a pessoa que determina como vai usar as informações…
Exatamente! Temos uma musica nova do disco novo que se chama “I Am The Enemy”. Vamos tocar ela no show. Ela fala disso, de conceitos e pré conceitos dentro de você, de dentro para fora. Estou falando uma coisa e você está entendendo outra. A própria Bíblia tem muitas traduções e interpretações. “I Am The Enemy” lida com isso, eu sou a solução e os problemas de tudo. Você não vai culpar o presidente e o chefe, você tem que balancear, e porque você acha que gosta de uma coisa e não gosta de outra? Quando você começa a viajar o mundo, começa a ver outras pessoas comendo diferente, e você começa a respeitar outras maneiras de viver, e não ficar com fobia ou com medo. Acho que seria bom se todo mundo tivesse oportunidade de viajar.

O baterista atual [Eloy Casagrande] gravou esse último álbum? Pergunto isso porque a bateria soa muito bem no disco, principalmente na abertura.
Sim, esse já é o segundo disco com ele. O Eloy é quase uma unanimidade. Grandes mestres da bateria, como Lars Ulrich e Dave Lombardo, o viram tocar e ficaram boquiabertos. É um músico fantástico e veio para o Sepultura pronto. É um estilo que ele sempre curtiu, o metal está no sangue dele. Era o baterista que a gente tava precisando, ele trouxe uma energia.

O Jean [Dolabella, ex-baterista] também é muito bom. Como é feita a seleção de bateristas?
Temos essa tradição de grandes bateristas, desde Igor Cavalera, que é uma lenda na bateria mundial. O Igor começou e não teve a educação didática da bateria, mas toca na raça mesmo. E o Jean é um monstro, um músico fantástico. Fizemos vários discos, e um deles, o Kairos, é considerado um de nossos melhores. O Jean não é um baterista que veio do metal, ele era fã do Sepultura quando moleque e tudo, mas tinha outra pegada, mas que funcionou muito bem. Mas ele procurou outros caminhos. A agenda do Sepultura é muito puxada, são quase três anos fazendo turnê. Se você não tem uma família que te apoie e te ajude, é impossível. Mas foi de grande valia. Não podemos deixar nunca de ter um monstro na bateria.

Eu apoio o Ministério Público, o Sergio Moro, as 10 medidas contra a corrupção, acho que esse é o caminho que temos de seguir. Não falo pela banda, falo por mim, cada um tem sua consciência e vota de uma forma.”
Autor

Nesse cenário onde os músicos expressam opiniões sobre política, como o pessoal do Ultraje a Rigor e dos Detonautas, vocês se sentem desafiados a mostrar a postura de vocês?
Não por ser músico, mas por cidadania. É absurda a ideia de que todos os músicos têm que pensar igual. Cada um tem uma estrutura familiar e uma dificuldade, e cada um cria um conceito de política. Mantendo a civilidade, não agredindo, é valido. A democracia é isso. Na própria Alemanha, em Berlim, no 1º de maio, a polícia protege extremistas de extrema direita. Se você falar em democracia, é para dar direito a todo mundo. Acho válido e positivo. Agora uma grande parcela da população sabe o que o presidente do Senado faz, o STF, a função do Ministério Público…. É o caos porque está rolando isso desde que o Brasil existe, mas chegou um momento em que estourou. É muita roubalheira. Tem que dar um basta nisso e, por algum lugar, temos que seguir. Eu apoio o Ministério Público, o Sergio Moro, as 10 medidas contra a corrupção, acho que esse é o caminho que temos de seguir. Não falo pela banda, falo por mim, cada um tem sua consciência e vota de uma forma. Como torcedor do meu time de futebol, recebi criticas dos rivais e vamos embora. O Brasil estava em um momento de explosão e tudo o que aconteceu foi necessário, gostem ou não.

É um período de transição, não tem nada resolvido. A política está uma bagunça e o controle da velha guarda ainda é grande, mas com a informação que a população geral está começando a ter, é um pressagio por um futuro a médio prazo melhor e mais consciente. Para que, aí sim, o Brasil possa crescer para chegar a um nível de primeiro mundo, de Noruega, Suécia, Dinamarca… Lá não é o governador e o prefeito, é a população que sabe, você aprende na escola, é educação. Você não quebra patrimônio publico, não quebra o seu estádio. O brasileiro tem de melhorar muito nesse aspecto para poder exigir de nossos governantes.

Nesse ano teremos aqui no Brasil a reunião do Guns and Roses com Slash e Axl Rose. Você pensa em fazer o mesmo, reunir a formação original do Sepultura?
Temos um plano muito bem definido e não são outras bandas que vão nos tirar o foco. Nosso plano é muito bem definido, não interessa com quem o Slash vai tocar e se o Hendrix voltou dos mortos (risos). Já passamos por essa época de reunions, voltaram o Faith No More, o Police, Anthrax, e eu compreendo que isso é natural. O que os outros fazem não tem influência nenhuma. Eles [Max e Igor Cavalera] escolheram sair da banda. Não foram mandados embora, foi a escolha deles. Estamos em 2016. Olhamos para trás com muito respeito, mas não estamos presos no passado. Foi muito difícil a saída do Max. Perdemos toda a estrutura que o Sepultura levou 10 anos para construir. Vieram bateristas e gravadoras diferentes e estamos aí, celebrando os nossos 32 anos.

Você tem também uma banda com seu filho. Como está sendo isso?
O Kisser Clan é uma brincadeira. A gente toca covers, começou quando o Yohan, o meu filho, mostrou interesse na guitarra. Montei essa banda com ele para uma festa de fim de ano com a família, com a criançada tocando. Juntei a galera, o Gustavo Giglio e o Amilcar, que estão tocando junto, e começou a virar uma coisa anual. Até hoje é uma diversão, é indescritível ter um contato com meu filho dessa maneira. Ele tem a banda dele, o Lusco Fusco, estão lançando a primeira demo.

E é isso, tocar de Beatles a Sepultura, se divertir, e ao mesmo tempo aprender. A música é uma grande escola. Tenho meu caminho com o Sepultura e o De La Tierra, minha outra banda.

Na banda, você é um pai exigente?
Sou na medida do possível. Mesmo que seja uma brincadeira, temos que tocar legal, se no fica uma coisa ridícula para a gente e para o público. Temos que nos apresentar da melhor forma possível para o público. Agora estou cantando. Não sou vocalista, mas a gente sempre usa isso como laboratório.

SERVIÇO

Sepultura – 30 Anos

Onde: Opinião (Rua José do Patrocínio, 834)
Quando:16 de outubro, domingo, às 20h
Abertura da casa: 18h30
Classificação: 14 anos

Ingressos:
Lote 3: Promocional (valor reduzido, com a doação de um 1kg de alimento não perecível ou agasalho, disponível para qualquer pessoa): R$ 60

Estudantes e idosos (desconto de 50%): R$ 55
Inteira: R$ 110

Lote 4: Promocional (valor reduzido, com a doação de um 1kg de alimento não perecível ou agasalho, disponível para qualquer pessoa): R$ 70
Estudantes e idosos (desconto de 50%): R$ 65
Inteira: R$ 130

* Os alimentos e os agasalhos deverão ser entregues no Opinião, no momento da entrada ao evento.

** Para o benefício da meia-entrada (50% de desconto), é necessária a apresentação da carteira de estudante na entrada do espetáculo. Os documentos aceitos como válidos estão determinados no artigo 4º da Lei Estadual 14.612/14.

Pontos de venda:

Bilheteria oficial (sem taxa de conveniência – somente em dinheiro): Youcom Bourbon Wallig

Demais pontos de venda (sujeito à cobrança de R$ 5 de taxa de conveniência – somente em dinheiro): Youcom Shopping Praia de Belas, Iguatemi, Bourbon Ipiranga, Barra Shopping Sul, Bourbon Novo Hamburgo e Canoas Shopping
Multisom Andradas 1001 e Bourbon São Leopoldo





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Show de Andrea Bocelli deve reunir 70 mil pessoas em Aparecida, SP



O show do tenor italiano Andrea Bocelli neste sábado (15) deve reunir aproximadamente 70 mil pessoas no Santuário Nacional em Aparecida (SP). A entrada é gratuita.

O evento, chamado de ‘Primavera Musical no Vale’, faz parte das comemorações dos 300 anos do encontro da imagem da Padroeira no Rio Paraíba, em 1717. A festividade do ano jubilar começou neste dia 12 de outubro.

A apresentação deste sábado será às 19h na tribuna Bento XVI, no Santuário Nacional, e a abertura dos portões acontece às 14h. Os fãs poderão estacionar normalmente na basílica, em uma área delimitada para o público presente. A tarifa do estacionamento será cobrada normalmente.

Além do tenor, a apresentação vai reunir uma equipe de 35 pessoas, entre elas o cantor sertanejo Daniel, convidados internacionais e a orquestra Jovem do Estado de São Paulo.

Andrea Bocelli
Com mais de 80 milhões de álbuns vendidos, o artista italiano já se apresentou para três presidentes norte-americanos, três papas e famílias reais de todo o mundo.

 





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Banda Mateuzinho e Os Umbigaê faz show em Presidente Prudente



Neste sábado (15), a partir das 16h, a banda Mateuzinho e Os Umbigaê sobe ao palco do Sesc Thermas, em Presidente Prudente. O show da banda prudentina será realizado na Área de Convivência da unidade e tem entrada gratuita.

Na levada do sambalanço, abusando do soul e em flerte com o hip hop, o afrobeat e o afoxé, os prudentinos completam seis anos de estrada e acumulam uma vasta bagagem de experiências musicais.

Em 2011, aterrissaram em terras ibéricas onde realizaram uma turnê por Portugal e Espanha, apresentando-se em várias casas noturnas. Em 2013, realizaram o primeiro show no Sesc Thermas, em Presidente Prudente, que se repetiu em 2015 em um tributo a Jorge Ben.

Na Virada Cultural Paulista, tocaram em 2014 na cidade de Assis (SP), fazendo uma participação no show da banda paulistana Os Opalas. Em 2015, se apresentaram na Virada Cultural de Presidente Prudente e dividiram o palco com grandes nomes da música brasileira, como Racionais MCs, Agnaldo Timóteo e Boogarins.

Serviço
O quê: Mateuzinho e Os Umbigaê
Quando: dia 15 de outubro, sábado
Horário: 16h
Local: Área de Convivência do Sesc Thermas.
Quanto: Grátis





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Aerosmith faz show neste sábado (15) no Allianz Parque, em São Paulo



Aerosmith celebra clássicos em show em Porto Alegre (Foto: Divulgação/Edu Deferrari)Aerosmith celebra clássicos em show em Porto Alegre na terça-feira (11). Neste sábado (15) a banda toca em São Paulo (Foto: Divulgação/Edu Deferrari)

O Aerosmith toca na noite deste sábado (15) no Allianz Parque, em São Paulo. Os 45 mil ingressos colocados à venda estão quase todos esgotados. Até a noite de sexta-feira, havia ingresso apenas para o setor de cadeira inferior (R$ 450) no site de vendas.

O show faz parte da turnê “Rock n’ Roll Rumble – Aerosmith Style 2016”, e está marcado para começar às 21h.

A banda tocou na terça-feira (11), em Porto Alegre, no Anfiteatro Beira Rio. Foram 30 mil fãs, com ingressos esgotados antecipadamente. O último show desta passagem pelo país será no Recife, no Classic Hall, no dia 21 de outubro (ainda com ingressos à venda).

Como foi o primeiro
Em Porto Alegre, a banda incluiu no repertório a música “Pink”, para divulgar o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre o câncer de mama. Foi exibida no telão a imagem do guitarrista Joe Perry tocando na Estátua do Laçador. Leia como foi o show e veja fotos.

O Aerosmith também já tem show marcado no Rock in Rio 2017, em 21 de setembro. O festival acontecerá entre os dias 15 e 24 de setembro do ano que vem, no Rio. Será a primeira vez do Aerosmith no evento.

A atual passagem pelo Brasil é a sexta turnê da banda por aqui. O Aerosmith estreou no país em 1994, no Hollywood Rock, e voltou em 2007, 2010, 2011 e 2013. O último show em São Paulo foi no festival Monsters of Rock (lembre como foi o show).

Queda de Joe Perry
Joe Perry teve de ser levado a um hospital após cambalear e cair num show feito no dia 10 de julho em Nova York, com a banda Hollywood Vampires – com o ator Johnny Depp e o vocalista Alice Cooper. Logo depois, assessores de Perry disseam que ele se encontrava “estável e em repouso”.

Não é a primeira queda de um integrante da banda perto de um show do Brasil. Em 2011, Steven Tyler fez show no Paraguai com o olho roxo após cair no banheiro do seu quarto de hotel. Três dias depois, já recuperado, ele cantou em São Paulo debaixo de chuva.

Em junho deste ano, Steven Tyler disse que o grupo faria uma turnê de despedida em 2017. Neste ano, ele lançou seu primeiro disco solo, “We’re All Somebody From Somewhere”. Mas a banda ainda não confirmou oficialmente se vai terminar depois de 2017.

O quinteto de rock foi formado em Boston, nos Estados Unidos, em 1970. Ele já lançou 15 álbums de estúdio, sendo o mais recente de 2012. Os maiores sucessos do grupo são “Dream On”, “Walk This Way”, “Angel”, “Love in an Elevator”, “Janie’s Got a Gun”, “I Don’t Want to Miss a Thing” e “Jaded”.

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Aerosmith celebra clássicos em show em Porto Alegre (Foto: Divulgação/Edu Deferrari)Aerosmith celebra clássicos em show em Porto Alegre (Foto: Divulgação/Edu Deferrari)





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