Gilberto Gil agradece preocupação dos fãs e diz que vai finalizar check-up



Gilberto Gil agradece preocupação de fãs após ser internado em São Paulo (Foto: Reprodução Instagram)Gilberto Gil agradece preocupação de fãs após ser internado em São Paulo (Foto: Reprodução Instagram)

O cantor baiano Gilberto Gil, que está internado em São Paulo, usou as redes sociais nesta terça-feira (10) para agradecer o carinho dos fãs, que demonstraram preocupação e desejaram saúde ao artista. Um post feito em um perfil oficial do compositor informa que ele retornou ao Hospital Sírio Libanês para terminar um check-up, que precisou interromper para realizar os shows da turnê ao lado de Caetano Veloso nos Estados Unidos e na Europa.

“Gostaria de agradecer a todos pela preocupação, pelas inúmeras ligações, e-mails e recados aqui nas redes. Como vocês sabem, no mês passado iniciei um check-up aqui em São Paulo, interrompi pra fazer minha maratona de shows com @caetanoveloso pela América Latina, Estados Unidos e Europa, e agora retornei ao hospital com @floragil_ para terminar o meu check-up. Obrigado por tanto carinho, espero em breve estar em casa”, diz o post.

Caso
O cantor e compositor Gilberto Gil foi internado novamente no Hospital Sírio Libânes, em São Paulo, na manhã desta terça-feira (10). Segundo sua assessoria de imprensa, a internação é para realizar “exames profundos”, o que já estava previsto após a volta de sua turnê.

O baiano viajou dia 3 de abril e retornou neste domingo, dia 8. Ele fez oito shows nos Estados Unidos e oito na Europa.

Gil ficou internado de 25 de fevereiro a 9 de março deste ano por um quadro de hipertensão arterial. Quando saiu do hospital, agradeceu aos fãs. “Obrigado a todos pelo carinho demonstrado aqui nas redes. Já estamos a caminho de casa. Aquele abraço!”, postou Gil no Twitter.

 





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Uma das visualizações mais convincentes sobre mudança climática que já vimos


Os dados sobre a mudança climática são inegáveis: vivemos em um mundo quente que está ficando ainda mais quente. E um relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), compilado por mais de duzentos cientistas de quarenta países, diz com 95% de certeza que grande parte do aquecimento global tem causas humanas.

>>> A Terra de 56 milhões de anos atrás nos mostra o futuro da mudança climática
>>> Se você acha que o aumento de um grau na temperatura é pouco, leia isto

Ainda assim, às vezes é difícil fazer as pessoas realmente verem a tendência global do clima – por exemplo, ainda há quem interprete um inverno rigoroso como prova de que não há aquecimento global. É por isso que este gráfico do climatologista Ed Hawkins, do Centro Nacional de Ciências Atmosféricas da Universidade de Reading (Reino Unido), dá uma visão geral excelente do que está acontecendo.

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No gráfico, Hawkins coloca as alterações de temperatura de cada mês desde a década de 1850. Por décadas, estas alterações se concentravam em 0°C. Aos poucos, elas começam a se tornar mais intensas, especialmente após o ano 2000. É quando a Terra começou a mostrar sinais bem claros do aquecimento: por exemplo, os treze níveis mais baixos de gelo marinho no Ártico durante o inverno foram vistos nos últimos treze anos.

Esta visualização de dados sobre o clima permite que o ruído de pequenas variações desapareça no fundo, enquanto mostra claramente a tendência da mudança climática.

“Eu acho que há muito a se ver – variações de mês para mês e de década para década”, diz Hawkins ao Gizmodo. “Eu queria visualizar as alterações que vimos de diferentes maneiras para aprender como podemos melhorar a nossa comunicação. A espiral aparece para apresentar a informação de uma forma atraente e direta. O ritmo da mudança é imediatamente óbvio, especialmente ao longo das últimas décadas. A relação entre as temperaturas globais atuais e os limites-alvo discutidos internacionalmente também é clara, sem muita interpretação complexa necessária.”

Hawkins também foi um dos autores que contribuíram para um relatório do IPCC de 2014, que alertava para a escassez de alimentos e de água nas próximas décadas devido à mudança climática.

[Climate Lab Book]

Foto por Cimexus/Flickr



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Roberto Carlos, o cantor, processa homônimo de Vila Velha no ES



Um corretor de imóveis de Vila Velha, homônimo do cantor Roberto Carlos, foi processado em 2015 pela empresa Editora Musical Amigos LTDA, a qual o cantor é sócio majoritário, por usar o nome do ‘rei’ na corretora. Neste ano, o corretor entrou com um recurso na Justiça paulista, onde a ação foi ajuizada, para voltar a usar o nome.

Ele acabou fechando a firma porque, na época, uma liminar exigia o pagamento de multa diária de R$ 1 mil caso o corretor Roberto Carlos Vieira mantivesse o nome em atividades comerciais.

Roberto Carlos vieira  (Foto: Arquivo Pessoal)Roberto Carlos vieira (Foto: Arquivo Pessoal)

A alegação é que a empresa que gerencia os negócios do cantor tem a marca registrada com o nome para classe de comércio, bens e imóveis em geral.

Nesta terça-feira (10), o G1 conversou com o corretor Roberto Carlos Vieira, com o advogado dele, Sebastião Aroni Colombo, e também com o advogado do cantor, Celino Bento de Souza.

O corretor
Em entrevista ao G1, o corretor Roberto Carlos Vieira disse que não cometeu crime algum. “O único ‘crime’ foi ter sido batizado com esse nome’, disse.

Roberto Carlos Vieira disse que seu nome é composto, assim como o dos três irmãos. “Meu pai Antônio Carlos Vieira quis colocar o nome ‘Carlos’ em todos os filhos. Renato Carlos, Ronaldo Carlos, Roberto Carlos e minha irmã é Roseane Carla, e isso nunca teve relação com o cantor. Eu nasci em 1961, acho que ele nem fazia sucesso ainda”, contou.

Ele contou que sempre trabalhou como corretor de imóveis em Vila Velha e, há oito anos, abriu a empresa com o nome de Roberto Carlos. O escritório ficava na Avenida Gil Veloso.

Após o processo, há um ano, aproximadamente, o corretor acatou a liminar da Justiça e encerrou as atividades como proprietário.

“O corretor é uma pessoa física que exerce uma função autônoma. É o meu CPF que está registrado, não é um CNPJ. Há um ano recebi a liminar da Justiça e fiquei surpreso. Antes disso não recebi nenhum tipo de contato. A ação me impedia de associar o meu nome Roberto Carlos a qualquer atividade comercial, imobiliária em sites e redes sociais. Além disso, exigia que eu retirasse o site do ar, meus cartões de visitas, placas dos imóveis que eu estava comercializando”, explicou.

Roberto Carlos disse que resolveu acatar a decisão da Justiça e foi obrigado fechar o escritório. “Se eu não respeitasse a decisão e teria que pagar R$ 1 mil por dia. Não tinha condições para isso e nem para pagar um advogado”, contou.

O corretor disse que após a liminar teve que compartilhar um espaço com outros corretores. “Fui de proprietário a empregado em dias. Me senti humilhado, constrangido e revoltado. Não cometi nada errado, apenas trabalhava dignamente. Depois disso, não tive condições de manter minha filha, de 19 anos, na faculdade, isso acabou comigo. Tive que trocar meus filhos de escola, por causa da questão financeira mesmo. Tenho problemas de insônia. Estou perdendo tudo o que conquistei. Meu padrão de vida mudou”, disse.

Não estou concorrendo com os ramos e interesses das atividades do cantor. Quero ganhar a minha vida tranquilamente”
Roberto Carlos,
corretor

O corretor disse que sempre admirou o cantor, mas se surpreendeu com o processo. “Não posso dizer que já fui fã, mas sempre respeitei o trabalho dele. Ele é reconhecido como ‘rei’ e não duvido. Não estou concorrendo com os ramos e interesses das atividades do cantor. Quero ganhar a minha vida tranquilamente. Não quero denegrir a imagem dele, mas o Brasil está cheio de absurdos e semideuses”, disse.

Recurso
O advogado do corretor, Sebastião Aroni Colombo, disse ao G1 que já entrou com recurso na Justiça de São Paulo, onde a ação foi ajuizada, mas ainda não foi julgada.

“Já contestamos a liminar e acreditamos que esta ação é descabida. Primeiro de tudo é que eles deveriam entrar com a ação na cidade do réu. Ainda não entendi como eles conseguiram ajuizar de lá”, disse.

Colombo disse que mantém contado com os advogados do cantor Roberto Carlos e a empresa que é proprietário, a Editora Musical Amigos LTDA que moveu a ação.

“Eles estão dizendo que o meu cliente está denegrindo a imagem do cantor e vão pedir segredo de justiça no caso para não atrapalhar a vida pessoal do cantor”, explicou Colombo.

Roberto Carlos se apresenta neste sábado (9), às 20 horas, no Centro de Eventos do Ceará. (Foto: Arte Produções/G1/Divulgação)Advogado de Roberto Carlos falou com o G1
(Foto: Arte Produções/G1/Divulgação)

Cantor Roberto Carlos 
Por telefone, um dos advogados da Editora Musical Amigos LTDA, cujo Roberto Carlos é sócio majoritário e Erasmo Carlos também é sócio, Celino Bento de Souza conversou com o G1.

O advogado disse que o processo é uma ação ordinária para abstenção de uso de marca que culmina com indenização.

Segundo Celino, foi conseguida uma tutela antecipada para que o réu deixasse de usar, por meio de uma liminar, a marca Roberto Carlos.

Celino explicou que é responsável por cuidar da proteção dos direitos autorais da marca Roberto Carlos que está registrada há mais de 20 anos. “A Editora Musical Amigos LTDA tem a marca registrada para classe de comércio, bens e imóveis em geral”, disse.

O advogado do cantor Roberto Carlos disse que tentou notificar o corretor de forma amigável, mas Roberto Carlos Vieira não retornou as tentativas de contato.

“O corretor de imóveis de Vila Velha não está impedido de usar o seu nome civil, o nome completo dele. A ação não aceita que ele use a marca, que ‘Roberto Carlos’. O nome completo, não teria problemas. Não estamos interessados no dinheiro da multa diária que foi imposta, apenas queremos preservar a marca registrada. Queremos que o corretor tenha sucesso na área, mas que use o próprio nome e não a expressão de marca”, explicou.

Sobre a ação ter sido impetrada em São Paulo e não em Vila Velha, o advogado de Roberto Carlos disse que a lei permite entrar com ação de indenização no domicílio do autor.

Disse ainda que a filosofia do escritório é fazer sempre acordos, mas que não obteve sucesso neste caso. “Estaremos sempre abertos para negociação. Trabalhamos com pessoas idôneas e tranquilas, não podemos permitir que imagens delas sejam denegridas”, disse o advogado da empresa do cantor Roberto Carlos.





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Prince: polícia interroga médico que prescreveu remédios antes da morte



Prince toca em Yas Island em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, durante a última noite do Grand Prix de Fórmula 1 em novembro de 2010 (Foto: Nousha Salimi/AP/Arquivo)Prince toca em Yas Island em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, durante a última noite do Grand Prix de Fórmula 1 em novembro de 2010 (Foto: Nousha Salimi/AP/Arquivo)
 

Investigadores em Minnesota interrogaram um médico que prescreveu medicamentos para Prince nas semanas anteriores à morte do artista, afirma um mandado de busca da polícia.

Michael Schulenberg, um médico de família local, tratou o músico duas vezes, incluindo no dia anterior a sua morte, e foi ao estúdio Paisley Park na manhã em que ele morreu, em 21 de abril, com resultados de exames, informou o documento obtido pelo Los Angeles Times na terça-feira.

Prince, de 57 anos, já havia sido declarado morto no momento em que o médico chegou, depois de ter sido encontrado desacordado no elevador.

O mandado não explicita o que Schulenberg prescreveu, para qual doença o medicamento serviria ou se Prince ingeriu os remédios.

A polícia também realizou outra busca na casa em Minneapolis no astro do pop e apreendeu históricos médicos do hospital onde Schulenberg trabalhava.

A causa da morte ainda é desconhecida, e os investigadores analisam se Prince morreu de uma overdose de opiáceos.

As autoridades encontraram receitas de analgésicos em posse de Prince após sua morte.

Um médico legista informou que os resultados completos de um exame post-mortem podem levar semanas, enquanto o gabinete do xerife do condado de Carver declarou que não havia sinais de trauma ou suicídio.

A polícia investigava a cena da morte de Prince novamente na manhã desta quarta-feira.

“Detetives estão revisitando a cena em Paisley Park como parte de uma investigação completa”, informou o gabinete do xerife pelo Twitter, acrescentando que não havia outras informações disponíveis.





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Tem muito mais em jogo que o Netflix de fim de semana na franquia de banda larga



No final de março, os usuários de internet do Brasil ficaram de cabelo em pé com a notícia de que as operadoras de telefonia pretendem adotar franquias na banda larga fixa. Mais preocupante ainda, essa era a postura de gente que deveria fiscalizar as teles, como João Resende, presidente da Anatel – cujo discurso sobre gamers foi um show de ignorância, para dizer o mínimo. Desde então, as franquias estão suspensas por tempo indeterminado, e ficamos na promessa de que um decreto barraria os limites. No entanto, ainda não há no horizonte um final para essa novela.

>>> Por que somos contra as franquias no serviço de banda larga fixa
>>> A controvérsia das franquias na internet fixa nos EUA tem boas lições para o Brasil

Nós nos posicionamos contra o plano de franquias, e decidimos ir mais a fundo para tentar entender como o usuário de tecnologia é afetado quando a banda larga fixa é limitada. Mais ainda, a gente tentou entender como o Brasil é prejudicado quando importantes segmentos tecnológicos sofrem com a falta de internet ou o fornecimento de internet limitada.

Para tanto, decidimos olhar para segmentos que acreditamos que farão ou continuarão a fazer parte de nossa vida no futuro. Começamos pelo streaming de vídeo e internet das coisas. No Brasil e no mundo, alguns deles estão em estágio mais ou menos avançado em termos de adoção e desenvolvimento, mas todos têm o potencial de transformar vidas. Aquela promessa de um futuro ultraconectado e tecnológico dos filmes passa por esses segmentos – desde que, claro, eles venham acompanhados de uma internet sem limites.

Então, levantamos pesquisas e conversamos com empresas, pesquisadores e associações para tentar entender o tamanho do problema, tanto para usuários quanto para o país. De modo geral, a conclusão é preocupante. Com as franquias, o Brasil perde competitividade e transforma seus cidadãos em internautas de segunda classe.

Vídeo por streaming

Quando veio a público a discussão sobre capar a banda larga, o foco foi logo colocado no Netflix. Deu-se ares de que se tratava de algo supérfluo, um verdadeiro “drama classe média”.

Um dos argumentos das operadoras era de que o usuário casual poderia ser beneficiado e pagar menos, deixando o usuário hardcore, o viciado em séries e filmes, pagar mais pela utilização da infraestrutura. A definição de “usuário casual” era daquele internauta que checa emails e navega moderadamente por portais e redes sociais.

O problema é que a própria definição de usuário casual mudou. Segundo a TIC Domicílios 2014, pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mais da metade dos internautas brasileiros já assiste a vídeos na internet. No total, 58% consomem aquilo que está em sites como YouTube e Netflix. Quando considerados aqueles que acessam a rede pelo computador de mesa e também pelo celular, o número sobe para 69% (a pesquisa tem números para quem navega só por desktop, só por celular e pelos dois). Ou seja, o usuário casual também está se tornando aquele que assiste vídeos.

Além disso, 84% de internautas “desktop + celular” visitam redes sociais, e está claro como esses sites estão cada vez mais repletos de vídeos. Basta saber que em 2015, o Facebook tinha 4 bilhões de visualizações diárias de vídeos.

O foco no Netflix também ignora o fato de que o principal canal de vídeos no país é o YouTube, uma opção gratuita que abriga uma complexa e diversificada gama de conteúdos. Estima-se que o Netflix tenha até 4 milhões de assinantes no Brasil. O último número oficial do YouTube, revelado em 2014, indicava que o site tinha 62 milhões de usuários brasileiros.

Qualquer um entende o impacto imediato para quem vive no mundo das franquias: com velocidades cortadas ou reduzidas, a experiência vira um lixo. Você passa a se preocupar com aquilo que vai consumir e pode não conseguir acessar algo quando mais precisa, ainda mais quando não se sabe ao certo quanto se consome.

“Em primeiro lugar, isso é uma mudança de regra unilateral e claramente oportunista por parte das operadoras. Não só a experiência do usuário é prejudicada. Seu acesso a cultura também”, diz Ricardo Feltrin, colunista do UOL, especializado em TV e que cobre o assunto. No início do ano, Feltrin publicou que as operadoras preparavam uma ofensiva contra o Netflix. Já em abril, em outra coluna, reforçou a tese do que estava por trás do estabelecimento de franquia por parte das operadoras.

Com as limitações, vários segmentos ligados a vídeo por streaming são afetados. “A produção pode ser prejudicada. O Brasil faz um uso intensivo e sofisticado de internet. Entendemos rapidinho a linguagem de produção de conteúdo para vídeo. É só perceber o larguíssimo ecossistema de YouTubers crescendo cada vez mais”, diz Carlos Affonso Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

Educação a distância

Mas, por um segundo, deixe o entretenimento de lado. Vídeo por streaming é fundamental para a educação em um país de grandes extensões e problemas estruturais. A educação à distância – incluindo cursos técnicos, de aprimoramento e até de graduação – depende fortemente de streaming de vídeo. Segundo dados mais recentes disponíveis no censo do ensino superior, feito pelo Inep, 1,1 milhão de matrículas em cursos de graduação à distância foram feitas em 2013.

Além disso, some-se aqueles que estudam em instituições estrangeiras ou aqueles que optam por cursos como os da Khan Academy. Este texto de Leandro Demori é fundamental.

Assim, é possível imaginar um cenário em que os alunos vão ponderar se devem acessar o material com medo de pagar para consumir além da franquia – um desastre para a já capenga situação da educação no país. Vale lembrar: vídeo em HD consome cerca de 3 GB por hora. Um curso de duas horas com vídeo durante cinco dias na semana nessa resolução gastaria 30 GB, mais do que o dobro dos planos mais básicos, de 10 GB, imaginados pelas operadoras.

Além disso, quando se fala de educação, também se fala de inclusão. E o potencial para deixar os mais pobres de fora da internet é alto com as franquias. Segundo uma pesquisa da consultoria VisionMobile, 72% da internet no Brasil é acessada da banda larga fixa, ao contrário de países como Índia (27%), Japão (35%) e EUA (55%). E os mais pobres são os que mais dependem, por exemplo, das lanhouses – um segmento que parece extinto, mas que ainda sobrevive.

Segundo o TIC Domicílios 2014, 23% dos internautas com renda familiar de até um salário mínimo se conectam por lanhouses. Evidentemente, franquias nas conexões vão sufocar esses pequenos negócios e deixar de fora da rede membros das classes D e E.

Mercado de TVs

Até agora, estamos falando apenas de conteúdo. Mas e os dispositivos para streaming de vídeos? Em 2015, as smart TVs venderam 10% a mais do que em 2014, mesmo com a economia brasileira encolhendo 3,8%. A categoria representou 50% do faturamento da categoria de TVs no Brasil, segundo a consultoria GfK. “O conteúdo de vídeo em streaming aumentou e se tornou mais relevante no mercado brasileiro, favorecido pela popularização da internet banda larga no Brasil”, diz a empresa.

Ainda é cedo para afirmar que franquias na banda larga derrubarão as vendas de TVs inteligentes, mas certamente são um obstáculo a mais. Qual seria o incentivo para comprar mais um consumidor de dados da franquia? O fato é que as smart TVs podem crescer muito ainda (como mostrou a Pnad 2014, apenas 47,9% das TVs no Brasil são de tela fina), mas já vivem um momento difícil. No ano passado, de acordo com a GfK, o mercado geral de TVs (incluindo smart e tradicionais) encolheu 35%. Limites na banda larga certamente não vão ajudar esse número a ficar no azul.

O mesmo vale para a adoção e popularização da resolução 4K. Uma hora de streaming em 4K pode consumir até 7 GB por hora. E isso não vai melhorar, pois é assim que caminha a tecnologia. Novamente, qual o incentivo para comprar TVs 4K se a sua franquia vai desaparecer rapidamente?

“Isso é um fenômeno cruel: transformar avanços tecnológicos em luxo, em regalias, em privilégios. Só que isso não é luxo nenhum. Não deveria ser um privilégio. Deveria ser uma evolução natural. Isso me preocupa muito porque o brasileiro vai se sentir excluído. Será um momento extremamente triste”, diz Carlos Affonso Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

Mesmo com todos esses aspectos e diferentes impactos, o Netflix resolveu se pronunciar para a gente:

“Os consumidores brasileiros são apaixonados por conteúdo e pela possibilidade de assistir ao que querem online, sob demanda. Limitar as franquias de internet é ruim para o consumidor e para a internet em geral, pois é uma maneira ineficiente de gerenciar uma rede e pode inibir a sua inovação. Os esforços para limitar as franquias de internet dos consumidores em certos ISPs [provedores] irá apenas prejudicar os consumidores e limitar o acesso pelo qual eles já pagam às operadoras”.

Internet das coisas

Internet das coisas (IoT) é uma expressão ampla que indica a conexão à de qualquer objeto à rede, e abriga tanto dispositivos pessoais, como pulseiras fitness, quanto ferramentas industriais, como turbinas de avião. A ideia é normalmente associada a redes móveis, como 4G e 5G, e a usos corporativos. Mas esses dispositivos podem ser conectados à banda larga fixa e ter uso doméstico. É mais um segmento que começa a ganhar fôlego fora do Brasil e que pode ter dificuldades por aqui por conta das franquias.

Na visão do setor tecnológico, a casa do futuro será toda conectada. Eletrodomésticos, sistema de iluminação, sistema de segurança, e outros. É um futuro de filme que aos poucos vai se transformando. O lance desses dispositivos e sensores é que eles não consomem muitos dados sozinhos. Juntos, sim. E eles serão muitos. Muitos mesmo. Segundo a consultoria Business Insider Intelligence, existirão 34 bilhões de aparelhos no mundo conectados à internet. Desses, 24 bilhões serão “coisas”; e os outros 10 bilhões, aparelhos tradicionais como notebooks e smartphones.

“Os limites na banda larga podem inviabilizar um universo de dispositivos de IoT, pois não vai existir interesse de pagar uma banda mais cara para fazer certos controles. Imagine você querer acessar as câmeras da sua casa e descobrir que o Netflix estourou a franquia?”, diz Marcelo Otte, diretor executivo do Centro de Convergência Digital (CCD) da Fundação CERTI.

As aplicações para IoT são variadas. Podem ser feitas em hospitais ou na produção agrícola, mas é importante que tenham tempo de resposta baixíssimo. Do contrário, a aplicação pode ser um fracasso. Imagine um produtor rural que decide investir em uma colheitadeira controlada à distância. Se o operador que está na rede fixa sofre algum tipo de limitação na conexão, a máquina pode ficar descontrolada e parar na fazenda vizinha. Evidentemente, velocidades mais baixas por conta de franquias não ajudam nesse cenário.

A Ericsson, que tem interesse nesse segmento, deixou claro a importância da rede sem limites na seguinte nota:

“A Ericsson tem um compromisso com a internet aberta. Estamos convencidos de que, em um mercado competitivo, operar de modo eficaz é a melhor maneira para se alcançar esse objetivo, e permitir e apoiar esse mercado deve ser prioridade para os órgãos reguladores. A nossa perspectiva faz parte de uma visão ampla que engloba a experiência do usuário, a inovação e as ofertas diferenciadas, e que garante que as pessoas, as empresas e a sociedade se beneficiem enquanto a sociedade conectada amadurece.”

Carlos Affonso Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, faz uma observação importante que tanto para IoT quanto para os outros tópicos discutidos nesta reportagem: “Esses serviços e produtos serão trazidos para cá por empresas que já fazem isso no exterior. Se o Brasil começa a usar uma franquia reduzida, torna seu mercado menos lucrativo. Quem vai investir aqui se apenas um punhado de pessoas puder usar?”. Assim, a casa dos Jetsons caiu para os brasileiros.

Outro lado

Falamos com o SindiTelebrasil e eles reafirmaram as posições defendidas na audiência pública no Senado do último 3 de abril. Nela, Carlos Duprat, diretor do sindicato, afirmou que é preciso disciplinar o uso do serviço, pois as redes são “finitas”. Também reclamou de serviços que utilizam muito as redes e da carga tributária sobre os serviços de telecomunicações. Para completar, afirmou que o modelo de franquias requer conscientização e que a partir dali esse seria o foco das operadoras.

O sindicato também defende a liberdade na implantação nos modelos de negócios. Segundo a apresentação, as operadoras brasileiras estão entre as que mais investem no mundo, tendo gastado 23% da receita líquida em 2014, acima de países como EUA e Alemanha. Claro, não há um comparativo com o montante total já investido por esses países nos últimos 15 anos. Tendo todos esses fatores em mente, o sindicato afirma que o setor de telecomunicações está perdendo atratividade de investimentos no mundo.


Como vimos, a adoção de franquia na banda larga fixa pode travar bem mais do que o Netflix de sábado a noite. Marcelo Zuffo, professor do departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da USP, resume: “Isso é atrasar o desenvolvimento do país em 10 anos”.

Imagem por picjumbo/Pixabay



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Radiohead vai do blues ao psicodélico com o digno 'A moon shaped pool'



Capa do novo álbum do Radiohead, lançado neste domingo (8) na internet (Foto: Radiohead/ Divulgação)Capa do novo álbum do Radiohead, ‘A moon shaped pool’ (Foto: Radiohead/ Divulgação)

A primeira música tem “cara de festival”. A segunda é “uma canção longa, tipo chata”. A oitava “lembra Kung Fu Panda”. A nona é uma “música legal”. A décima primeira “pode fazer as pessoas chorarem”. Avaliação final: nota 7.

Esta “crítica” do novo disco do Radiohead, “A moon shaped pool”, foi escrita por um sucinto garotinho de oito anos. Divulgada pela mãe do menino (clique aqui), tem repercutido desde o lançamento do álbum, no domingo (8).

Mas diz aí: o minicrítico tem razão? Apesar de rigoroso, ele tem, sim. O trabalho é OK. Bonito, belos momentos. Mas o Radiohead já foi melhor (no celebrado “OK Computer”, de 1997) e já chutou o balde na ousadia (no eletrônico “Kid A”, de 2000). Só que já foi pior (no dispensável “Amnesiac”, de 2000).

Em “A moon shaped pool”, a banda abandona a rebeldia sem causa e a obsessão pela eletrônica como – suspiro… – experimentação. O quinteto acredita em guitarra, violão, piano e percussão. E, sobretudo, nos arranjos e na pretensão do guitarrista Jonny Greenwood. Muito bem, Radiohead. Rola até (quase) bossa nova, folk, psicodelismo, blues (de leve). Eis o lado bom do grupo que carrega o status/clichê de “o Pink Floyd de sua geração”.

O lado ruim é que o Radiohead se ocupa mais da própria reputação – e do próprio mistério – que da própria música. “A moon shaped pool” é inédito naquelas. Das 11 músicas, cinco circulam em versões prévias. Caso de “True love waits”, tocada em shows desde 1995.

“De onde menos se espera, é daí é que não sai nada mesmo”, diz a frase atribuída ao Barão de Itararé. Com o Radiohead é o contrário. Avaliar sem levar isso em conta é subestimar. Se “A moon shaped pool” – nono CD de estúdio e primeiro desde “The king of limbs” (2011) – for o último disco, então terá sido um testamento digno. Não o auge.

Veja, a seguir, o faixa a faixa de ‘A moon shaped pool’:

Clipe em stop-motion para a música 'Burn The Witch' é lançado pelo Radiohead nesta terça-feira (3) (Foto: Reprodução/YouTube)Clipe em stop-motion para a música ‘Burn the witch’, do Radiohead (Foto: Reprodução/YouTube)

1. ‘Burn the witch’
O primeiro single do disco tem “cara de Coldplay”. Tem arranjo de cordas orquestrado que quer ser grandioso e você imagina gente com coroa de flores, mãos e celulares para cima. E então a canção ameaça acontecer mas… Na hora H, fica pelo caminho e nada de refrão para cantar junto. O Radiohead evita soar como Coldplay para soar como Radiohead. Ufa.

Assista ao clipe de ‘Burn the witch’

2. ‘Daydreaming’
Excelente – mais como trilha sonora do que como canção. O clipe é dirigido pelo renomado (e metido a artístico) Paul Thomas Anderson. Ele mostra Thom Yorke sendo Thom Yorke: angustiado e perdido, depois perdido e angustiado. A faixa é lenta, com piano repetitivo. “Para além do ponto sem volta/ E é tarde demais/ O estrago já foi feito”, canta. No fim, um grunhido em reverse: “Efil ym fo flaH”, ou “Half of my life” (“metade da minha vida”). Possível ou provável referência ao divórcio do cantor. Em 2015, ele se separou após 23 anos.

Assista ao clipe de ‘Daydreaming’

Thom Yorke no clipe de 'Daydreaming' (Foto: Divulgação)Thom Yorke no clipe de ‘Daydreaming’
(Foto: Divulgação)

3. ‘Decks dark’
“Há uma nave espacial bloqueando o céu/ E não há onde se esconder/ Você corre de volta e tapa os ouvidos/ Mas este é o som mais alto que você já ouviu/ Mas era apenas uma risada, apenas uma mentira/ Apenas uma risada, apenas uma risada.” Metáfora óbvia em termos de Radiohead: falar de ET para falar de EX. O fundo musical é Radiohead clássico: piano constante bem marcado e ruídos eletrônicos eventuais. E coral. Funciona.

4. ‘Desert island disk’
Começa com o violão folk, e você espera qualquer um – até o Eddie Vedder, do Pearl Jam –, mas aí aparece o Thom Yorke e, já não era sem tempo, um punhado de ruídos digitais. Faixa perfeitinha, da voz agora muito contida aos versos: “Diferentes tipos de amor/ São possíveis/ São possíveis”.    

5. ‘Ful stop’
Parte do mérito do Radiohead torna coerente a seguinte sequência: uma música com cara de rodinha comandada por monitor de acampamento (“Desert island disk”) e depois um krautrock para a pista, dançante e cheio dos falsetes (“Ful stop”). Claro que foi de propósito: “Vamos provar que somos muito versáteis na transição do som do violão para o som da programação?”. Vamos. Era tocada nos shows em versão diferente.

6. ‘Glass eyes’
Qual a função desta balada no disco? Pois é… Nenhuma. Sorte que é a mais curta, nem 3 minutos. Uma lamentosa combinação de piano e cordas que parece trilha sonora de filme romântico fraco. Thom Yorke canta com melancolia afetada e sente “este amor esfriar”. O disco também. Próxima!

7. ‘Identikit’
Outra das antigas, que já aparece em show e em outra versão desde 2012. “Identikit” é daquelas que fazem propaganda do virtuosismo do Radiohead (virtuosismo estético, não técnico). Ritmo quebrado e aparições imprevisíveis, como o coro de gosto duvidoso e um solo de guitarra questionável. Mas tudo melhora com o tempo, conclusão que se aplica à voz do Thom Yorke. Belíssimo vocal que é melhor do que parece na primeira ouvida. “Corações partidos fazem chover”, diz o verso. Parece ironia.   

Thom Yorke durante o festival de Glastonbury (Foto: Joel Ryan/AP)Thom Yorke durante o festival de Glastonbury
(Foto: Joel Ryan/AP)

8. ‘The numbers’
“The numbers” é Radiohead acertando no blues. Está certo quem achar parecido ainda com Neil Young ou Patti Smith. E está certo quem apenas colocá-la entre as favoritas de “A moon shaped pool”. É blues com psicodelismo e com cordas, piano inteligente e tal. A música foi apresentada por Thom Yorke, em dezembro de 2015. Chamava “Silent spring”.

9. ‘Present tense’
Legal o Radiohead sendo bossa nova, sendo latino e, mesmo assim, não sendo ridículo. É o oposto: tem jeito de virar momento obrigatório em shows – até porque é executada ao vivo desde 2009 e sempre agradou. A letra simples não chega a igualar “Chega de saudade”, de Vinicius de Moraes, mas ao menos evita citações “peixinhos a nadar no mar”. Canta, Thom Yorke: “Distância/ É como uma arma/ Como uma arma/ De autodefesa/ Contra o presente/ Contra o presente/ Contra o tempo presente”.

10. ‘Tinker tailor soldier sailor rich man poor man beggar man thief’
São cinco demorados minutos de Radiohead tentando ser sombrio com violinos mas acabando somente cansativo. Dispensável.

11. ‘True love waits’
De todas as músicas de “A moon shaped pool”, esta era a mais esperada. Frequentando shows havia mais de duas décadas, “True love waits” chega em releitura definitiva com piano e fecha bem o disco. Yorke canta bem versos acima da média de incompreensão (para os padrões Radiohead). “Apenas não vá embora/ Não vá”, diz a letra, cheia de significado e (agora) de contexto. “E o amor verdadeiro espera/ Em sótãos mal-assombrados”. “Pode fazer as pessoas chorarem”, sentenciou o garotinho que abre este texto. Pode mesmo.





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Banda mexicana Maná se une ao BID em projetos de proteção ambiental


Cantor Fher Olvera, do Maná, na cerimônia de homenagem à banda, que ganhou a estrela de número 2.573 na Calçada da Fama de Hollywood, na Califórnia, em 10 de fevereiro de 2016A popular banda mexicana de pop-rock Maná e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) firmaram acordos de cooperação em projetos de proteção ambiental, principalmente em relação à compensação ecológica dos shows do grupo, informou nesta terça-feira a entidade bancária em Washington.



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Por que sempre queremos apertar o botão vermelho


“Não importa o que aconteça, não aperte esse botão.” Esse clichê habita a cultura pop há décadas — e o mundo real também. Mas qual é a origem do Botão Vermelho? E por que nossa curiosidade doentia sempre nos impele a apertá-lo?

O botão da Guerra Fria

Durante a Guerra Fria, o botão vermelho era uma metáfora: caso apertado, os mísseis começariam a cruzar o planeta. É claro que isso nunca existiu. Na realidade, botões vermelhos são normalmente usados para interromper uma situação perigosa, não para dar início a uma. É difícil definir a origem exata dessa ideia, mas os botões vermelhos surgiram junto a tecnologias consideradas perigosas o suficiente para ter uma função de EMERGÊNCIA que pudesse ser ativada de forma rápida e simples.

Esses botões são também conhecidos como “kill switches” – mecanismos de segurança que desligam um equipamento à força durante uma emergência. Em alguns casos, o botão é o último recurso, a única forma de sair de uma crise potencialmente catastrófica.

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Um console de operação de um IBM System/360 Model 64 com um Botão Vermelho na parte superior, à direita. Crédito: Wikipedia

Mais uma vez, a data exata do surgimento do Botão Vermelho na vida real é desconhecida. Mas sabemos qual é um dos primeiros exemplos documentados: o computador System/360 Model 65, lançado pela IBM em novembro de 1965. Ele era conhecido por seu “botão de emergência” localizado no topo do console. Ele era grande, assustadoramente vermelho e ficava separado de todos os outros controles e alavancas. De acordo com o manual do computador, aquele botão cortava a energia de todas as unidades do sistema.

O botão vermelho também aparece na forma de freios de emergência em transportes públicos ou carros, e dispara o alarme de perigo — e sua cor vermelha remete aos carros de bombeiros. Muitas vezes o botão serve como um alarme de incêndio, que normalmente fica atrás de vidro para evitar apertões de curiosos.

Algumas usinas nucleares têm algo chamado “botão scram“. Sua função é tentar impedir que um desastre nuclear aconteça: quando apertado, ele solta bastões de resfriamento dentro do reator de forma a interromper a reação nuclear.

The "Reactor Trip" button seen during a tour of the Crystal River Nuclear Plant held for broadcast and print media, in Crystal River, Fla., Tuesday, June 14, 2011. Nuclear Operator Warren Gill explained that the button is pressed in an emergency shutdown situation, which would cause control rods to free-fall into the reactor and stop the nuclear reaction. (AP Photo/Will Vragovic, Pool)
Um “botão scram” na Usina Nuclear Crystal River, localizada na Flórida. Crédito: AP

Em 2009, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton presentou o ex-ministro de Relações Externas da Rússia, Sergey Lavrov, com um grande “Botão de Reiniciar” para comemorar uma nova fase da relação entre os EUA e a Rússia. Os russos não entenderam a piada, e o clima ficou um pouco pesado. Mas naquele momento os perigosos botões vermelhos já faziam parte da cultura pop americana.

“Não toca nisso, seu idiota!”

O clichê do botão vermelho está lado a lado da casca de banana escorregadia e da bigorna que cai do céu. Muitas vezes um personagem aconselha outro a nunca, sob nenhuma circunstância, apertar o botão. Mas o que acontece logo em seguida? O personagem desobediente e curioso o aperta mesmo assim, é claro, e na maioria das vezes algo explode.

O botão vermelho é um aparato narrativo presente em todos os gêneros, testando nossos impulsos e causando eventos comicamente catastróficos há décadas. O site TVTropes.com divide os botões entre diferentes clichês como  “O Que Esse Botão Faz?“, “Botão que Desencadeia a Trama“, e “Não Toca Nisso, Seu Idiota!”.

Os botões são figura recorrente nos filmes do James Bond, onde eles ejetam assentos de carros ou explodem reatores nucleares. Uma das piadas recorrentes de O Laboratório de Dexter envolve Dee Dee, a irmão mais velha e hiperativa do personagem principal, apertando um botão vermelho apesar dos avisos de seu irmão, o que sempre traz consequências desastrosas.

Em Homens de Preto, há um “botãozinho vermelho” no carro dos agentes, e que K aconselha J a apertar apenas em caso de emergência. Quando ele é finalmente pressionado, o carro se transforma em um veículo supersônico que sobe em paredes e é movido por propulsores. Em S.O.S. – Tem um louco solto no espaço, Dark Helmet é jogado em cima de um Botão Vermelho, o que dá início ao processo de autodestruição da nave.

É difícil definir a origem desse aparato narrativo, mas um exemplo particularmente antigo é um conto publicado na Playboy em 1970, intitulado “Button, Button” e escrito pelo lendário escritor de ficção científica Richard Matheson (autor de Eu Sou a Lenda e O Incrível Homem que Encolheu). No conto, um casal recebe uma caixa com um botão. Toda vez que ele é apertado, o casal recebe US$ 50.000. No entanto, toda vez que isso acontece, algum desconhecido morre. (Isaac Asimov também escreveu um conto chamado “Button, Button” em 1953, mas as histórias são completamente diferentes.) O conto inspirou um episódio de Além da Imaginação lançado nos anos 80, assim como o filme A Caixa, um suspense bobo lançado em 2009.

A questão é: será que eles devem apertar o botão? Se sim, quantas vezes? O conto é uma das primeiras obras a usar a imagem do botão como metáfora do lado sombrio dos personagens, ou, pelo menos, de uma curiosidade que acaba se revelando violenta.

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GIF via YouTube: “Para que serve este botão?”

A psicologia por trás do ato de apertar um botão

Quando há um botão vermelho na nossa frente, ficamos tentados a apertá-lo — especialmente se formos aconselhados a não fazer isso.

“Nós apertamos todo e qualquer botão na esperança de que ele liberará uma descarga de dopamina em nosso organismo”, diz Larry Rosen, psicólogo e professor da Universidade do Estado da Califórnia que já escreveu vários livros sobre psicologia e tecnologia. “Ou pelo menos, que ele reduzirá o cortisol que nos deixa ansiosos — e essa expectativa se mantêm até que finalmente apertamos o botão e descobrimos o que ele faz”.

Em geral, quanto mais somos aconselhados a não fazer algo, maior é nossa vontade de fazer exatamente o que não devíamos. Na cultura pop, essa ideia vai além do Botão Vermelho, passando por clichês como “O fruto proibido“, “A Curiosidade Matou os Personagens” e “Não Faça Essa Coisa Super Legal“.

Na psicologia, isso pode ser explicado pela teoria da reatância, que afirma que quando nossa liberdade de escolha é ameaçada, somos tomados pelo desejo de protegê-la, o que nos dá ainda mais vontade de fazer a tal coisa proibida. A teoria foi aplicada em estudos sobre a idade relativamente alta em que beber álcool é permitido nos EUA (21 anos), algo que incentiva o consumo ilegal de bebidas entre universitários.

Na maioria das vezes, os botões indicam poder. Ao apertá-lo, algo sempre acontece. No mundo real, esse “algo” raramente é negativo. Muitas vezes, o botão chama algo ou alguém. É o caso do botão de serviço de um avião, ou de uma campainha. Nós sentimos o impulso de apertá-los porque achamos que eles podem nos ajudar a conseguir algo. E quando somos aconselhados a não apertar um botão, não é de se espantar que muitas pessoas não consigam controlar seus impulsos. Isso faz parte da natureza humana.

Em abril, o Reddit lançou uma pegadinha de Primeiro de Abril-barra-experimento social chamado “O Botão“. A brincadeira envolvia um timer que contava de 60 a zero. No entanto, se alguma pessoa no lado oposto da internet apertasse o botão, o cronômetro voltava ao início. A brincadeira era um estudo de caso sobre recompensa adiada, já que os usuários tinham que deixar a contagem regressiva terminar para ganhar o jogo. Mas alguém sempre apertava o botão, o que estragava tudo. Em junho, a contagem regressiva finalmente chegou ao zero, depois de meses e milhões de cliques.

A ideia do botão vermelho já foi utilizada de formas mais lúdicas: existem vários “jogos” que tentam te convencer a apertar (ou não apertar) o botão vermelho. Um deles é um aplicativo para Android que já foi avaliado mais de 5.500 vezes.

Mas no cenário atual, os grandes botões vermelhos, as alavancas mortais e as máquinas apocalípticas foram substituídas por um tipo diferente — agora os botões que controlam o mundo são digitais. E, pelo menos no Facebook, esse botão ainda é vermelho: é a notificação que informa que alguém falou com você, ou que alguém curtiu sua foto, ou que alguém te ofereceu alguma forma de afirmação social que você tem que checar logo, é rapidinho!

“Nós reagimos visceralmente ao ‘botão’ que mostra que recebemos uma mensagem ou notificação; é uma reação pavloviana”, diz Larry Rosen. Quer seja um botão físico ou digital, se ele estiver na nossa frente, nós sentiremos o impulso de apertá-lo — porque ao fazer isso, sentimos algum tipo de satisfação. Ou pelo menos é o que a gente pensa.

Ilustração de Jim Cooke



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